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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O ÚLTIMO DISCURSO QUE FIZ DE PÉ



Revendo guardados, encontrei este pequeno discurso, escrito a mão, já amarelado, envelhecido, desbotado... Juro que ao lê lo, não pude conter as lágrimas. Como a vida nos transforma! Lembrei-me desse encerramento de ano, dessa festinha que foi tão linda, tão descontraída. A turma era coesa, amiga... Embora simples a minha fala, vejo que me preparava para uma marcante mudança de vida! (...Aliás, a vida é uma constante luta. Se não o fosse, não teríamos nada para agradecer, pois o que não nos custa nada, pouco vale). Bom que eu não depus as armas. Até hoje as tenho sempre em punho. Sou uma guerreira, sempre à frente da trincheira. A cada dia ganho mais destreza para enfrentar as intempéries que ainda me serão oferecidas.

O ÚLTIMO DISCURSO QUE FIZ DE PÉ
(Genaura Tormin)

Discurso de encerramento do ano de 1981 no Posto Policial do Hospital das Clínicas, de cujo Posto eu era a supervisora.

Meus queridos colegas de trabalho!
Meus amigos:

Hoje é um dia diferente para nós! Não um dia de vigília, de trabalho, mas um dia de lazer, em que os nossos corações se aproximam cheios de festa, e unidos damos as mãos para encerrar mais um ano de luta.

Aliás, a vida é uma constante luta. Se não o fosse, não teríamos nada para agradecer, pois o que não nos custa nada, pouco vale.

Prezados colegas,

Formamos aqui uma família, onde não há o maior nem o menor. Todos nós somos iguais, amigos e estamos no mesmo barco, remando com solidariedade para que ele não afunde.

Somos pequenos, mas como diz o velho adágio: o importante não é sermos grandes ou pequenos, mas sermos nós mesmos nos realizando com a missão que nos foi confiada.

Portanto, vamos dar largas à criança que vive dentro de nós. Vamos encerrar o ano com alegria! E dentro da amizade descontraída da nossa gente, brincar de amigo secreto e pagar a prenda ou a penitência se for necessário.

Como porta voz de vocês, quero agradecer de coração a cada um por dias tão maravilhosos que me proporcionaram neste posto. Obrigada!!

Genaura Tormin (3 meses depois fiquei inesperadamente paraplégica e sem motivo plausível)

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