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quinta-feira, 12 de março de 2009

O PACOTE


O PACOTE

(Genaura Tormin)

Um gemido,
um soluço depois,
lá vem a maca.

Alguém,
que parece com Cristo,
ocupa um lugar,
ao lado dos demais.

Mãos calejadas,
fisionomia esquálida,
olhos pedintes,
demonstram
que a vida lhe foi madrasta.

O último lampejo de fé
escorre-lhe pela face.
Cessam-lhe os sinais vitais.

De onde veio?
Ninguém sabe.
Não tem identidade.
É mais um zé-ninguém.

Não há voz,
nem lamentos.

Ele não tem
sequer direitos.

Nasceu, sofreu,
morreu,
e agora é o desconhecido
do PACOTE N.º 1O.

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