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quinta-feira, 12 de março de 2009

RECOLHENDO CACOS



RECOLHENDO CACOS
(Genaura Tormin)


Dentro de mim mora o tempo,

Numa ciranda de atos,

Em que sou a protagonista.



Vasculho cantos,

Estampados no espelho do passado.

Fantasmas silenciosos,

Ainda estão reclusos

No meu porão de saudades.



Fragmentada,

Sigo resoluta.

Tento recolher os cacos,

Reconstruir o que me foi roubado.

A vida é um palco.

A máscara é o abrigo,

Que me esgarça o riso,

Borda minha colcha de retalhos.



Os sonhos se esconderam

No vazio do nada,

No sufoco de desejos incontidos.

Os elos se romperam.

Restam a fantasia, as metáforas...

E o poema ainda é pura alegria!

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